quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Procurei

Procurei-te à noite
Sob a brisa quente de verão
Depois da tua aparição
Onde nos teus cabelos cheios de vida
Assentavas uma tiara florida
E com o teu olhar reluzente
Como a água cristalina e quente
De um paraíso sem nome
Encaravas-me resplandecente
E eu soube nesse instante
Que por ti percorreria
Do madrugar da nascente
Até aos confins do mundo.
E ao dizeres-me o teu nome
Soube por fim que decerto
Há mais vontade de te reencontrar
Do que areia no deserto
E perdi-te no mar de gente
Ou deixei que te levasses

Procurei-te à noite
Nas ruas estreitas de Armação
Sob a brisa quente de verão
E percorri as avenidas
Com o louco desejo
De rever esse olhar encantador
E tão incógnito como os lugares escondidos
Por detrás de um nevoeiro,
Caminhei de lés a lés
Com a vã esperança
De te falar mais uma vez
De trocar olhares, carícias
Ser adulto e ser criança
E nas palavras à beira-mar
Ser tudo numa só noite e mais,
Sim, sou louco
E quero ver-te sorrir
Ao ouvires estas palavras
Sabendo que são para ti

Procurei-te toda a noite
E no palpitar do coração
Escorreu-me o suor e o desespero
Nas ruas estreitas de Armação
Sob a brisa quente de verão
Ansiando que no mar de gente
Tivesse a tua aparição
Leve e encantadora
De olhares postos no meu horizonte
E nas mais noites que virão.
Percorrerei as avenidas
Que me levam aos confins do mundo
Porque vejo nos teus olhos
Únicos, doces, míticos
Que desistir é uma mágoa
Que conformar leva-me a nada
Que a memória é insuficiente
E onde quer que me leva esta estrada
Sigo-a pois ainda não te encontrei

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