segunda-feira, 10 de outubro de 2016

A Senha

Puxei a porta que diz empurre
E ao entrar na repartição
Retirei a senha
E aguardei o chamamento,
Pensando nesta vida que se estranha
Em que um olhar é nada,
E somos levados pelo vento
De uma nova madrugada,
Em que até o amar é cinzento.

Escrevia com a caneta escura
A secretária anafada
E uma jovem sorria
Para o ecran de telemóvel.
Estamos na bancada
A ver os outros jogar
Esse estranho jogo da vida,
E a barreira envidraçada
É como o próprio luar
Numa noite de nébula vestida.

Pisca a luz da repartição,
Escasseiam os fundos
Deste alegórico escritório,
Preparo a documentação
Que velório… de burocracia,
Amar não é ter tempo,
Amor é o tempo em si.
Pisca a luz outra vez
Brilha como brilhaste na minha vida
Doce beijo do cupido
E naquele ténue momento
Deste meu sonhar mendigo
Chamaram-me a ser atendido
E preenchi o requerimento
Pr’a poder estar contigo.

Sem comentários:

Publicar um comentário